Os números concordam, o espetáculo tem menos qualidade!

Para o FC Porto não está a ser uma época como certamente desejava. O 3.º lugar na classificação com 2 derrotas à 7.ª jornada não estava nos planos da equipa nem dos adeptos. Se a derrota em casa de um rival direto, apesar de não ser comum perder no novo Estádio da Luz, não pode ser considerada anormal, já a derrota caseira com o Vit. Guimarães e depois de estar a ganhar 2-0 teve dimensões completamente irrealistas para uma equipa como o FC Porto.

Com exceção da 1ª jornada com o Chaves no Dragão e a primeira parte com o Tondela, também no Dragão, têm sido exibições que ficaram aquém das expetativas levando mesmo o treinador Sérgio Conceição a ter uma afirmação perfeitamente escusada sobre os espetáculos no Coliseu.

Mas estará, o FC Porto 2018/19, assim tão mal de forma a que os resultados não sejam os desejáveis até ao momento? Para ajudar a responder a essa pergunta, reuni números estatísticos sobre vários itens para tentar fazer uma comparação entre a performance deste ano e do ano transacto assim como a performance desta época dos maiores rivais.

Nota: Para ser uma comparação mais justa, estes números são referentes aos jogos até à 7ª jornada de 2017/18 e 2018/19. Alguns itens do FC Porto 2017/18 não foram possíveis reunir. Os números apresentados são médias/jogo.

Fontes: whoscored e sofascore

Defensivos

defensivos

Em termos defensivos, este FC Porto sofre mais golos (6) do que na época passada (3). Um facto inegável e o que mais peso tem no final da história. A defesa foi o setor que mais sofreu com o mercado de transferências com as saídas de Ricardo e Marcano. Porém, os números não diferem muito da época passada chegando mesmo a ser melhores em alguns itens. No que diz respeito às “Oportunidades de Golo” criadas pelos adversários, esta época, concedemos menos 14.3% e consentimos menos remates, 3.4%. Mas neste aspeto dos remates há um item que piorou e dá uma ligeira ajuda a explicar o maior número de golos sofridos, “Remates Dentro Grande Área”. Deixámos os adversários rematar dentro da nossa área cerca de mais 17.9% que no ano anterior. Somos dos 3 grandes os que mais remates na área permitimos. Um item que à 4ª jornada estava nos 70.8%!! (70.8% dos remates dos adversários ocorriam dentro da nossa área)

Recordo que desde a chegada de Militão, à 4ª jornada, apenas sofremos 1 golo/4 jogos (0.25/jogo) e até aí tínhamos 5 golos/3 jogos (1.67/jogo). Com isto não quero de forma alguma desvalorizar Diogo Leite até porque acho que tem um imenso potencial mas Militão tem demonstrado outra categoria. A tudo isto não se pode dissociar a chegada de Danilo também na 4ª jornada com o Moreirense no Dragão (entrou aos 82min).

Construção

construção

Na parte da construção de jogo, infelizmente, não consegui reunir alguns dados interessantes como “Ações Com Bola”, “Passes Curtos” e “Passes Longos” referentes aos 7 primeiros jogos da época passada. Contudo, é interessante analisar alguns itens como o número de “Passes” onde esta época temos menos 3.9% que em 17/18, menos 5.2% Passes Chave e temos menos 2.2% de “Eficácia de Passe”. Em comparação com os rivais, temos menos 6.3% número de “Passes” e menos 2.7% de “Ações Com Bola” que o Benfica mas efetuámos mais 6.7% de “Passes Chave”precisámos de menos 4.8 passes para fazer um passe chavee temos melhor “Eficácia de Passe”.

Curiosamente somos, dos 3 grandes, quem menos recorre ao passe longo para construir jogo. O FC Porto utiliza esse recurso em 13.7% das vezes que faz um passe, menos 12.1% que o Sporting e menos 15.9% que o Benfica. Porém, em comparação com as grandes equipas europeias – tabela no final do post 13.7% é um valor acima do desejável para uma equipa como o FC Porto.

Um item que na época passada nos deu bastantes golos foram os “Cruzamentos” e surgiam com maior frequência, mais concretamente 18.2% cruzamentos a mais que esta época.

Duelos

duelos

A nível de duelos, o FC Porto, está igual à época passada sendo, dos 3 grandes, a que mais duelos ganha, 54.1%. Pelo Ar o caso muda de figura pois disputamos mais 32.8% de “Duelos Aéreos” e ganhámos menos 12.0%, ou seja, a bola anda mais pelo ar e conseguimos ficar com a “redondinha” menos vezes. Neste capitulo, o Rei é o Sporting, onde nos seus jogos, os “Duelos Aéreos”, acontecem com maior frequência, mais 11.8% que o FC Porto e mais 13.2% que o rival lisboeta.

Ainda nos duelos mas desta vez, os que o povo gosta, “Dribles”, o panorama é ainda pior. Embora a produção seja melhor que os rivais (+ 42.0% que SCP e 18.3% que SLB), driblamos menos 56.3% que na época anterior. Para isso muito contribui o Argelino Brahimi, o 8 Portista tem 43.3% de “Dribles Eficazes” em 3 tentados por jogo mas teve um decréscimo de 50.8% em relação à época anterior. Em 17/18, Brahimi, tinha à 7ª jornada 65.3% de “Dribles Eficazes” em 7 tentados por jogo. O mágico Argelino não tem desequilibrado nem metade do que fazia na época passada e isso também não ajuda na qualidade do espectáculo.

Ofensivos

ofensivos

É unânime que a força atacante da equipa não tem sido o esperado. Seja por lesões, opções disciplinares ou opções técnicas e apesar de também estarmos melhores que os rivais, os números mostram que baixámos a produção ofensiva em comparação com o FC Porto Campeão 17/18. Além de menos 3 golos marcados, temos menos 6.9% de “Remates”, menos 11.9% “Remates Enquadrados” e menos 14.0% de “Remates Dentro Grande Área”.

Juntando tudo isto à menor “Eficácia de Passe” e menor capacidade de “Dribles” é fácil concluir que, em 17/18, a avalanche Azul e Branca criava mais “Oportunidades de Golo”, mais concretamente 48.3%!! Como um mal nunca vem só, aproveitámos apenas 40.0% dos chamados “golos cantados”. Isto quer dizer que precisamos de 2.5 oportunidades flagrantes de golo para marcar. Só na 1ª jornada contra o Chaves (5-0), falhámos 7 em 9 oportunidades de golo criadas, 77.8%. Só Aboubakar falhou 3!

Os números podem sempre ser analisados de variadas formas mas muitas vezes traduzem o que na realidade vemos na forma de jogar da nossa equipa. Na comparação FC Porto 18/19 Vs FC Porto 17/18 não restam dúvidas. Estamos menos pujantes em praticamente todos os sentidos mas principalmente na construção de jogo de tal forma que se consiga criar oportunidade de golo e, não menos importante, aproveitar as mesmas. O melhor conhecimento sobre este sistema por parte dos adversários não pode ser subestimado e quando este é eficaz convém arranjar uma alternativa. Nada está perdido e ainda vamos a tempo de melhorar e recuperar o nosso lugar mas para isso vai ser preciso não ter medo de mudar o que for preciso e, principalmente, colocar as cabeças que andam a passear no seu devido lugar. 

Sem Título

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